Exame preventivo, o Papanicolau: como é feito e o que mudou
O exame preventivo rastreia o câncer do colo do útero antes de qualquer sintoma, e as diretrizes brasileiras de 2025 mudaram a forma de fazer isso. Aqui estão o que é o exame, quem precisa fazer, o preparo, a coleta, os resultados e os próximos passos quando algo aparece.
Atualizado em 7 de outubro de 2026
Agendar consultaO exame preventivo, conhecido como Papanicolau, é o exame que rastreia o câncer do colo do útero. Ele procura, antes de qualquer sintoma, o HPV de alto risco e as alterações que ele causa nas células, numa fase em que as lesões ainda podem ser tratadas antes de virarem câncer.
Em 2025, as diretrizes brasileiras mudaram o exame principal desse rastreamento: o teste de DNA-HPV passa a ser o teste de entrada, e o Papanicolau tradicional, a citologia, vira etapa de confirmação. A mudança é gradual, e o que vale para cada mulher é definido na consulta.
O que é o exame preventivo?
É o exame de rastreamento do câncer do colo do útero, feito em quem não tem sintomas.
Quase todos os casos desse câncer começam com uma infecção persistente pelo HPV, um vírus comum, transmitido principalmente pelo contato sexual. Entre a infecção e o câncer existem anos de intervalo, e é nesse intervalo que o preventivo trabalha: encontrar o vírus e as lesões iniciais enquanto o tratamento é simples.
Papanicolau é o nome popular da citologia, o exame que analisa as células do colo no microscópio. Com as diretrizes de 2025, ele divide o trabalho com um teste mais novo, o de DNA-HPV.
O que mudou no rastreamento em 2025?
O teste de entrada agora é o DNA-HPV, e o intervalo entre exames passou de três para cinco anos quando o resultado é negativo.
O teste de DNA-HPV identifica o material genético do vírus antes de qualquer alteração nas células, o que o torna mais sensível que a citologia. É por isso que o resultado negativo vale por mais tempo: cinco anos, em vez dos três do modelo anterior.
A citologia não desaparece. Ela passa a ser usada como etapa de triagem, para decidir o próximo passo quando o teste de HPV é positivo. A implantação do novo modelo é gradual pelo país, e o exame usado em cada caso é definido na consulta.
Quem precisa fazer e com que frequência?
Mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual, a cada cinco anos quando o teste de DNA-HPV é negativo.
Quem tomou a vacina contra o HPV também faz o rastreamento, porque a vacina não cobre todos os tipos do vírus. E quem está na menopausa continua dentro da faixa: o exame segue até os 64 anos.
Depois dos 64, a saída do rastreamento depende do histórico de exames e é avaliada na consulta. E um lembrete importante: rastreamento é para quem não tem sintomas. Qualquer sinal, como sangramento fora do padrão, pede consulta de avaliação, sem esperar a data do próximo exame.
Preciso de algum preparo?
Sim, três cuidados simples nas 48 horas anteriores.
- evitar relações sexuais, mesmo com preservativo;
- não usar duchas, cremes ou medicamentos vaginais, salvo orientação médica;
- não estar menstruada no dia da coleta, porque o sangue pode alterar o resultado.
Banho normal no dia, sem jejum. Se a menstruação chegar na data marcada, é só remarcar.
Como é a coleta?
No consultório, em poucos minutos, durante o exame ginecológico.
Com a paciente em posição ginecológica, o espéculo permite ver o colo do útero, e uma escova própria recolhe o material, que vai para o laboratório. A mesma coleta serve para o teste de DNA-HPV e para a citologia.
O exame não costuma doer. Pode haver um desconforto breve, que diminui quando a musculatura está relaxada, e um pequeno sangramento no dia é comum. Cada etapa é explicada antes de acontecer.
O que significam os resultados?
Negativo significa rastreamento em dia: o próximo exame fica para daqui a cinco anos.
HPV positivo não significa câncer. Significa que o vírus está presente, e a maioria das infecções desaparece sozinha. O que o resultado faz é definir o próximo passo: quando o teste identifica os tipos 16 ou 18, os de maior risco, a mulher é encaminhada à colposcopia; quando identifica outros tipos de alto risco, a citologia entra como triagem para decidir se a colposcopia é necessária.
Na citologia, as alterações recebem graus, e cada grau tem a sua conduta, explicada junto com o resultado na consulta.
E se o resultado pedir mais investigação?
O caminho seguinte costuma ser a colposcopia, um exame que olha o colo do útero com lentes de aumento.
Ela permite localizar a área alterada e, quando necessário, colher uma biópsia. Se a biópsia confirmar uma lesão precursora, o tratamento remove a área alterada antes que ela evolua, e a cirurgia de alta frequência é um dos métodos usados para isso.
Resultado alterado não é diagnóstico de câncer. Entre a alteração e o câncer existe uma janela longa, e é exatamente nela que o rastreamento age.
ColposcopiaO preventivo substitui a consulta ginecológica?
Não. Ele é um exame dentro de um cuidado maior.
O preventivo rastreia um câncer específico, o do colo do útero. Ele não avalia miomas, ovários, mamas nem a saúde hormonal, e não substitui a conversa sobre contracepção, ciclo e sintomas. Tudo isso pertence à consulta, que decide inclusive a hora certa de colher o preventivo.
Quem está com o exame atrasado não precisa de nada além de marcar: a consulta organiza o restante.
Consulta ginecológicaNesta área
Na consulta · Dra. Pollyane Lopes
A coleta do exame preventivo é feita pela Dra. Pollyane Almeida Lopes, médica ginecologista e obstetra, CRM MG 66466, RQE 44581, no consultório em Boa Esperança, MG, durante a consulta presencial. A consulta confere o calendário de rastreamento de cada mulher, orienta o preparo, realiza a coleta e entrega o resultado com a conduta explicada. Quando o resultado pede investigação, a colposcopia e o tratamento das lesões são conduzidos pela própria Dra.
Perguntas frequentes
O preventivo dói?
Não costuma doer. O espéculo pode causar um desconforto breve, que diminui com a musculatura relaxada, e um pequeno sangramento depois da coleta é comum e passa sozinho.
Quem nunca teve relação sexual precisa fazer?
O rastreamento é indicado para quem já iniciou a vida sexual. Quem nunca teve relação conversa sobre isso na consulta, porque a indicação e a forma de avaliação são individuais.
Tomei a vacina do HPV. Ainda preciso do preventivo?
Sim. A vacina protege contra os principais tipos do vírus, mas não contra todos. O rastreamento continua no mesmo calendário.
Grávida pode fazer o preventivo?
Pode. A coleta é segura na gestação, e o rastreamento da gestante segue o mesmo calendário das demais mulheres.
Meu resultado deu HPV positivo. É câncer?
Não. O resultado positivo indica a presença do vírus, que na maioria das vezes é eliminado pelo próprio organismo. O que ele muda é o acompanhamento: o próximo passo, triagem ou colposcopia, é definido pelo tipo de HPV encontrado.
Onde atende
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta. A indicação do exame, o intervalo e a conduta diante de cada resultado são individuais e dependem da avaliação médica.
Fontes de referência: Ministério da Saúde, Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, Parte I, rastreamento organizado com testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, 2025. Instituto Nacional de Câncer, orientações sobre o exame preventivo e o controle do câncer do colo do útero. Ministério da Saúde, Plano Nacional de Enfrentamento ao Câncer do Colo do Útero, 2025.
Dra. Pollyane Almeida Lopes
Médica Ginecologia e Obstetrícia
CRM MG 66466
RQE: 44581