Menopausa: acompanhamento e tratamento no climatério
O climatério é a fase que pede acompanhamento, dos primeiros sintomas aos anos que seguem a última menstruação. Aqui estão quando procurar a ginecologista, como o diagnóstico é confirmado, o que a avaliação inclui e as opções de tratamento, com e sem hormônio.
Atualizado em 7 de outubro de 2026
Agendar consultaA menopausa é a última menstruação, confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruar. O período de mudanças que a cerca tem outro nome, climatério: ele vai da transição, quando o ciclo começa a mudar, aos anos que seguem a última menstruação, e é nele que se concentram os sintomas, as decisões de tratamento e a prevenção.
O acompanhamento dessa fase não espera a menstruação parar. Ele pode começar nos primeiros sinais da transição, organiza os exames de rastreamento e define, caso a caso, se há indicação de tratar os sintomas, com ou sem hormônio.
Quando procurar a ginecologista?
Nos primeiros sintomas que incomodam, sem esperar a menstruação parar de vez.
- ciclos que mudam de intervalo ou de fluxo;
- fogachos e suores noturnos que atrapalham o sono, o trabalho ou a vida social;
- secura vaginal, ardor ou dor na relação;
- irritabilidade, ansiedade ou insônia que não melhora;
- infecção urinária que se repete;
- menstruação que parou antes dos 45 anos.
Um sinal fica fora dessa lista porque tem outro peso: qualquer sangramento depois de 12 meses sem menstruar precisa de avaliação, mesmo pequeno e uma vez só. A causa costuma ser benigna, e ainda assim o endométrio precisa ser avaliado sempre.
Como o diagnóstico é confirmado?
Pela história clínica, na maioria dos casos.
Depois dos 45 anos, 12 meses seguidos sem menstruar, somados aos sintomas típicos, confirmam a menopausa sem necessidade de dosagem hormonal, como orienta a diretriz britânica do NICE. O exame de hormônio fica reservado a situações específicas.
Quando a menstruação para entre os 40 e os 45 anos, fala-se em menopausa precoce. Antes dos 40, o quadro muda de nome e de conduta: é a insuficiência ovariana prematura, que pede investigação própria, conforme a diretriz internacional de 2024.
O que a avaliação inclui?
O histórico e os sintomas vêm primeiro: ciclo, sono, vida sexual, medicamentos em uso e doenças na família.
- Consulta: pressão arterial, peso, medida da cintura, exame ginecológico e, quando indicada, ultrassonografia.
- Rastreamentos: o do câncer do colo do útero, feito com o teste de DNA-HPV a cada cinco anos dos 25 aos 64 anos nas diretrizes brasileiras de 2025, e a mamografia, a cada dois anos dos 50 aos 74, com início possível a partir dos 40 em decisão conjunta.
- Ossos e sangue: densitometria óssea a partir dos 65 anos, antes disso quando há fator de risco, como a menopausa precoce, e exames de sangue conforme o caso, como colesterol, glicemia e tireoide.
Duas mudanças da fase acontecem em silêncio: os ossos perdem massa mais depressa depois da última menstruação, e o risco cardiovascular sobe já na transição, como descreve a American Heart Association em declaração de 2020. É por isso que pressão, colesterol, glicemia e densitometria fazem parte do acompanhamento, e não só os sintomas.
Como são tratados os sintomas?
Com um plano individual, que combina ajustes de rotina, tratamento sem hormônio e terapia hormonal quando indicada.
Os fogachos e os suores noturnos são a queixa que mais leva ao consultório, e a terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para eles. Já a secura vaginal e a dor na relação seguem outro curso: tendem a persistir com os anos e contam com tratamento próprio, inclusive o estrogênio vaginal em dose baixa, que age no local.
Tratar não é obrigatório. Quando os sintomas são leves e não atrapalham, o acompanhamento pode se concentrar nos rastreamentos e na prevenção.
Quando a terapia hormonal é indicada?
Para mulheres com sintomas que incomodam, depois da avaliação individual de benefícios e riscos.
O posicionamento de 2022 da Sociedade Norte-Americana de Menopausa resume a janela de oportunidade: para a maioria das mulheres saudáveis com menos de 60 anos, ou nos primeiros dez anos depois da última menstruação, os benefícios superam os riscos. Começar depois desse período deixa a balança menos favorável, e a decisão passa a ser ainda mais individual.
Existem contraindicações, como o câncer de mama, a trombose, a doença grave do fígado e o sangramento ainda sem causa definida. Quando a indicação existe, o tipo de hormônio, a dose e a via, comprimido, gel ou adesivo, são escolhidos para cada mulher e reavaliados ao longo do acompanhamento.
E quem não pode ou não quer usar hormônio?
Tem alternativas com evidência, definidas na consulta a partir do sintoma principal.
Para os fogachos, há medicamentos sem hormônio, de uso com prescrição, além da terapia cognitivo-comportamental e da hipnose clínica, as duas com recomendação formal. Para a secura vaginal, hidratantes e lubrificantes entram antes ou junto do tratamento local.
O que não entra no plano: cápsulas de soja, fitoterápicos e suplementos vendidos para a menopausa. O posicionamento de 2023 da Sociedade Norte-Americana de Menopausa não os recomenda para as ondas de calor, porque os estudos não mostram benefício consistente.
Como fica a contracepção na transição?
Mantida até a menopausa ser confirmada.
Na perimenopausa a ovulação rareia, mas não desaparece, e a gravidez segue possível. Pela diretriz britânica de 2023 sobre contracepção depois dos 40, o método é mantido por dois anos sem menstruar quando a última menstruação acontece antes dos 50 anos, e por um ano quando acontece depois. A partir dos 55, ele pode ser suspenso.
Alguns métodos trabalham em dobro nessa fase. O DIU hormonal, além de contraceptivo, reduz o sangramento aumentado, comum na transição. A escolha é feita na consulta, dentro dos critérios de elegibilidade.
ContracepçãoDIUComo é o acompanhamento ao longo do tempo?
Com revisões periódicas, que reavaliam os sintomas, o tratamento e os rastreamentos.
Quem usa terapia hormonal revisa nas consultas a dose, a via e a continuidade do tratamento, que não tem prazo fixo nem único. Quem não usa mantém o mesmo calendário de rastreamentos e a atenção aos ossos e ao coração.
O acompanhamento não termina quando os fogachos passam. Os sintomas genitais e urinários podem aparecer ou se intensificar anos depois da última menstruação, e os exames da fase continuam nas consultas seguintes.
Na consulta · Dra. Pollyane Lopes
O acompanhamento do climatério e da menopausa é feito pela Dra. Pollyane Almeida Lopes, médica ginecologista e obstetra, CRM MG 66466, RQE 44581, em consulta presencial, no consultório em Boa Esperança, MG. A conversa parte do que mais pesa no dia a dia, sintomas, sono, ciclo, vida sexual e medicamentos em uso, passa pelo exame ginecológico e organiza os rastreamentos da fase. A partir daí, o plano é construído com a paciente: ajustes de rotina, tratamento sem hormônio, terapia hormonal quando indicada e o intervalo das próximas revisões.
Perguntas frequentes
Menstruação irregular aos 45 anos já é menopausa?
Ainda não, necessariamente. A mudança do ciclo marca a perimenopausa, a transição que antecede a última menstruação. Essa fase já vale a consulta, porque os sintomas podem ser tratados e outras causas de irregularidade precisam ser descartadas.
Existe idade limite para começar a terapia hormonal?
Não há um corte único. Antes dos 60 anos, ou nos primeiros dez anos depois da última menstruação, os benefícios superam os riscos para a maioria das mulheres saudáveis com sintomas. Fora dessa janela, a balança fica menos favorável e a decisão é avaliada caso a caso.
Hormônios manipulados, os chamados bioidênticos, são mais seguros?
Não há evidência de vantagem. O posicionamento de 2022 da Sociedade Norte-Americana de Menopausa não recomenda as formulações manipuladas, pela falta de controle de dose e de pureza. Entre os produtos aprovados já existem hormônios com a mesma estrutura dos produzidos pelo corpo.
Preciso tratar mesmo com sintomas leves?
Não. O tratamento é uma decisão, não uma obrigação. O que se mantém para todas é o acompanhamento da fase, com os rastreamentos em dia e a prevenção óssea e cardiovascular.
A menopausa antes dos 40 anos é conduzida do mesmo jeito?
Não. Antes dos 40, o quadro se chama insuficiência ovariana prematura e tem investigação própria. Nesse caso, a diretriz internacional de 2024 recomenda a terapia hormonal, na ausência de contraindicação, até pelo menos a idade habitual da menopausa.
Onde atende
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta. A indicação da terapia hormonal e de qualquer tratamento é individual e depende da avaliação médica.
Fontes de referência: National Institute for Health and Care Excellence, Menopause: identification and management (NG23), atualização de 2024. The North American Menopause Society, The 2022 hormone therapy position statement, Menopause, 2022. The North American Menopause Society, The 2023 nonhormone therapy position statement, Menopause, 2023. The North American Menopause Society, The 2020 genitourinary syndrome of menopause position statement, Menopause, 2020. El Khoudary SR e colaboradores, Menopause transition and cardiovascular disease risk, a scientific statement from the American Heart Association, Circulation, 2020. Panay N e colaboradores, Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency, ESHRE, ASRM, CRE e IMS, Human Reproduction Open, 2024. Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare, Contraception for women aged over 40 years, 2023. Ministério da Saúde, Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, 2025. Ministério da Saúde, novas recomendações para o rastreamento do câncer de mama, setembro de 2025. US Preventive Services Task Force, Screening for osteoporosis to prevent fractures, 2025.
Dra. Pollyane Almeida Lopes
Médica Ginecologia e Obstetrícia
CRM MG 66466
RQE: 44581