Contracepção: como escolher o método anticoncepcional
A escolha do método contraceptivo depende da saúde, dos planos de gravidez e da rotina de cada mulher. Aqui estão os métodos disponíveis, a eficácia de cada um, os critérios que orientam a escolha e o que muda no pós-parto e na emergência.
Atualizado em 5 de outubro de 2026
Agendar consultaContracepção é o conjunto de métodos usados para evitar a gravidez e faz parte do planejamento familiar. Os métodos diferem na forma de uso, na duração, na eficácia e no efeito sobre o ciclo menstrual.
O método certo varia de uma mulher para outra. A escolha leva em conta a saúde, a fase da vida, o desejo de engravidar no futuro e a preferência de quem vai usar.
Quais são os métodos contraceptivos?
Eles se dividem em hormonais, não hormonais e definitivos.
- Hormonais: pílula combinada, pílula só de progestagênio, injetável mensal ou trimestral, adesivo, anel vaginal, implante e DIU hormonal.
- Não hormonais: DIU de cobre, preservativo masculino e feminino e diafragma.
- Definitivos: laqueadura e vasectomia, que seguem as regras da Lei do Planejamento Familiar.
O DIU e o implante formam o grupo dos métodos reversíveis de longa duração. Depois de colocados, funcionam por anos sem depender de lembrar de nada, e a fertilidade volta quando são retirados.
Qual método é mais eficaz?
O DIU e o implante, com menos de uma gravidez a cada 100 mulheres no primeiro ano de uso.
A diferença aparece no uso do dia a dia. Segundo o manual de planejamento familiar da Organização Mundial da Saúde, de 2022, cerca de 7 em cada 100 mulheres que usam a pílula engravidam no primeiro ano, porque esquecimentos e atrasos fazem parte da rotina. Com o injetável trimestral são cerca de 4, e com o preservativo masculino, cerca de 13.
Por isso, a eficácia de um método depende tanto dele quanto da forma como ele se encaixa na vida de quem usa.
Como é feita a escolha?
Pela combinação entre a saúde da mulher, os planos de gravidez e a preferência pessoal.
Os critérios de elegibilidade da Organização Mundial da Saúde, atualizados em 2025, classificam a segurança de cada método diante de condições como pressão alta, enxaqueca, trombose, tabagismo, amamentação e doenças crônicas. É essa avaliação que mostra quais métodos podem ser usados sem restrição e quais devem ser evitados.
Também entram na conversa o efeito sobre o sangramento menstrual, a vontade de engravidar e em quanto tempo, e a experiência com métodos anteriores.
Quem pode usar anticoncepcional com estrogênio?
A maioria das mulheres saudáveis, depois da avaliação.
Os métodos combinados, que têm estrogênio, aumentam um pouco o risco de trombose. São eles a pílula combinada, o adesivo, o anel e o injetável mensal. Por isso, são evitados por quem tem enxaqueca com aura, já teve trombose, tem pressão alta não controlada ou fuma a partir dos 35 anos.
Para essas mulheres, os métodos só de progestagênio e os não hormonais costumam ser opções seguras.
Como funcionam o DIU e o implante?
São colocados no consultório e duram anos.
O DIU de cobre não tem hormônio e pode durar até 10 anos. O DIU hormonal libera uma pequena quantidade de progestagênio no útero, costuma diminuir o fluxo menstrual e dura vários anos, conforme o modelo. O implante é uma haste fina colocada sob a pele do braço, que libera progestagênio e dura três anos.
Os dois podem ser usados por adolescentes e por quem nunca teve filhos, e a retirada pode ser feita a qualquer momento.
DIUImplante contraceptivoO que usar depois do parto e na amamentação?
Os métodos sem estrogênio, que não interferem na produção de leite.
O DIU pode ser colocado logo após o parto ou a partir de quatro semanas depois dele, e o implante pode ser colocado já no pós-parto. Os métodos com estrogênio costumam ser evitados nos primeiros meses de amamentação.
A escolha é feita ainda na gestação ou na consulta de revisão do pós-parto.
E a contracepção de emergência?
É para situações pontuais, como relação sem proteção ou falha do método, e não substitui o uso regular.
A pílula de emergência deve ser tomada o quanto antes, de preferência nas primeiras 72 horas, e funciona melhor quanto mais cedo é usada. O DIU de cobre colocado em até cinco dias depois da relação é a forma mais eficaz de contracepção de emergência.
Nenhum desses métodos protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
O preservativo continua necessário?
Sim, quando há risco de infecção sexualmente transmissível.
O preservativo masculino ou feminino é o único método que também protege contra as ISTs. Por isso, ele pode ser usado junto com outro método, o que se chama de dupla proteção.
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Na consulta · Dra. Pollyane Lopes
A escolha do método é feita com a Dra. Pollyane Almeida Lopes, médica ginecologista e obstetra, CRM MG 66466, RQE 44581, em consulta presencial. A conversa passa pelo histórico de saúde, pelos planos de gravidez, pelos métodos já usados e pelo efeito desejado sobre o sangramento menstrual. A partir daí, os critérios de elegibilidade orientam a indicação. A inserção do DIU e do implante é feita no consultório, depois dessa avaliação.
Perguntas frequentes
Anticoncepcional engorda?
Os estudos não mostram ganho de peso importante com a pílula combinada. O injetável trimestral é o método mais associado a aumento de peso, em parte das usuárias.
Quem nunca teve filhos pode usar DIU?
Pode. O DIU é indicado também para quem nunca engravidou, inclusive adolescentes, depois da avaliação.
É preciso dar uma pausa no anticoncepcional?
Não. A pausa periódica não traz benefício comprovado e aumenta o risco de gravidez não planejada.
Quanto tempo depois de parar o método a fertilidade volta?
Com a maioria dos métodos, logo nos primeiros ciclos. A exceção é o injetável trimestral, depois do qual a ovulação pode levar alguns meses para voltar.
A pílula do dia seguinte pode ser usada como método?
Não. Ela é para situações de emergência, tem eficácia menor que os métodos regulares e não substitui o uso contínuo.
Onde atende
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta. A indicação de qualquer método contraceptivo é individual e depende da avaliação médica.
Fontes de referência: World Health Organization, Medical eligibility criteria for contraceptive use, 6ª edição, 2025. World Health Organization, Selected practice recommendations for contraceptive use, 4ª edição, 2025. World Health Organization e Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, Family planning: a global handbook for providers, 2022. Gallo MF e colaboradores, Combination contraceptives: effects on weight, Cochrane Database of Systematic Reviews, 2014. Lopez LM e colaboradores, Progestin-only contraceptives: effects on weight, Cochrane Database of Systematic Reviews, 2016. Brasil, Lei nº 9.263, de 1996, alterada pela Lei nº 14.443, de 2022, Planejamento Familiar.
Dra. Pollyane Almeida Lopes
Médica Ginecologia e Obstetrícia
CRM MG 66466
RQE: 44581