Infecções ginecológicas e ISTs: corrimento, sintomas e tratamento
Corrimento, coceira e cheiro diferente são queixas comuns e nem sempre significam a mesma coisa. Aqui estão as infecções vaginais mais frequentes, o que diferencia uma IST, quando fazer os exames, como funciona o tratamento e o que vale para o parceiro.
Atualizado em 7 de outubro de 2026
Agendar consultaCorrimento, coceira, ardor e cheiro diferente estão entre os motivos mais comuns de procura pela ginecologista. Na maior parte das vezes a causa é uma infecção vaginal frequente e tratável, e em uma parte dos casos o diagnóstico é uma infecção sexualmente transmissível, a IST.
O ponto é que os sintomas se parecem e os tratamentos são diferentes. É isso que faz a consulta valer mais do que o remédio da farmácia: identificar a causa antes de tratar. E a conversa é sigilosa, como toda consulta médica.
Quais são as infecções vaginais mais comuns?
Vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase. As três causam corrimento, e só uma delas é IST.
- vaginose bacteriana: a mais frequente; é um desequilíbrio das bactérias que vivem na vagina, com corrimento fino, acinzentado e odor forte; não é IST;
- candidíase: causada por um fungo; coceira intensa, vermelhidão e corrimento branco e espesso, sem cheiro; não é IST;
- tricomoníase: causada por um protozoário transmitido na relação sexual; corrimento amarelo-esverdeado, odor e ardor; é IST, e cerca de metade das mulheres não sente nada.
Os sinais se sobrepõem, e nenhum deles basta para fechar o diagnóstico sozinho.
Como saber se é IST?
Pelo exame, não pelo sintoma. As ISTs mais comuns em mulheres muitas vezes não dão sinal nenhum.
Clamídia e gonorreia infectam o colo do útero e costumam passar despercebidas; sem tratamento, podem subir para o útero e as trompas. Sífilis, HIV e hepatites B e C também evoluem por longos períodos sem sintomas. Por isso o diagnóstico depende de exames, e não de observar o corrimento.
Ter uma infecção vaginal comum não significa ter IST, e ter IST não significa ter sintoma. As duas coisas se separam na consulta.
Quando fazer os exames de IST?
Com sintomas, sempre. Sem sintomas, como rotina em alguns momentos da vida.
- no início de uma relação nova ou na troca de parceria;
- no pré-natal, em que a testagem faz parte do calendário;
- como rastreamento periódico para quem tem vida sexual ativa, em especial até os 30 anos, conforme o protocolo nacional;
- depois de uma relação sem proteção ou do diagnóstico de IST na parceria.
A frequência é definida na consulta, de acordo com a história de cada mulher.
Quais exames são feitos?
Depende da suspeita. Para o corrimento, o exame ginecológico com análise da secreção; para as ISTs, exames de sangue e de secreção.
Clamídia e gonorreia são pesquisadas por teste molecular na secreção do colo. Sífilis e HIV podem ser investigados por teste rápido, com resultado no mesmo dia, e as hepatites B e C por exame de sangue. O rastreamento do HPV acontece no exame preventivo.
Os exames são pedidos de forma individual, conforme a história e a suspeita de cada caso.
Exame preventivoComo funciona o tratamento?
Com o medicamento certo para a causa certa, e sem automedicação.
Candidíase trata com antifúngico, vaginose e tricomoníase com antimicrobianos, e cada IST segue o esquema do protocolo nacional. Usar o remédio errado não resolve e pode atrapalhar o diagnóstico seguinte.
Candidíase e vaginose que voltam com frequência pedem investigação de causas por trás, como uso repetido de antibióticos, alterações hormonais ou diabetes, e um plano de prevenção.
O parceiro precisa tratar?
Depende da infecção. Na tricomoníase e nas demais ISTs, sim. Na candidíase e na vaginose, em geral não.
Nas ISTs, tratar a parceria, mesmo sem sintomas, evita a reinfecção e interrompe a transmissão. Na candidíase e na vaginose, o parceiro só é tratado em situações específicas, como sintomas nele ou quadros de repetição.
A orientação sobre a parceria faz parte da consulta e vem por escrito quando necessário.
Como prevenir?
Preservativo nas relações, vacinação e exames de rotina.
O preservativo reduz a transmissão da maior parte das ISTs. As vacinas contra o HPV e a hepatite B protegem contra duas infecções transmitidas sexualmente. E o rastreamento periódico encontra o que não dá sintoma.
Para as infecções vaginais comuns, evitar duchas internas e produtos perfumados na região ajuda a manter o equilíbrio da flora.
E na gestação?
O pré-natal inclui a testagem de ISTs, porque algumas podem passar para o bebê.
Sífilis, HIV e hepatite B são pesquisadas de rotina na gestação, e o tratamento no momento certo protege a criança. As infecções vaginais comuns também são tratadas, com medicamentos seguros para a fase.
Quem está grávida e nota corrimento diferente, ardor ou coceira deve avisar na consulta de pré-natal.
Pré-natalNa consulta · Dra. Pollyane Lopes
O diagnóstico e o tratamento das infecções ginecológicas e das ISTs são feitos pela Dra. Pollyane Almeida Lopes, médica ginecologista e obstetra, CRM MG 66466, RQE 44581, no consultório em Boa Esperança, MG. A consulta avalia a queixa, examina, coleta a secreção quando necessário e pede os exames conforme a história de cada mulher. Toda a conversa é protegida pelo sigilo médico, e a orientação à parceria, quando indicada, é combinada com a paciente.
Perguntas frequentes
Todo corrimento é infecção?
Não. A vagina produz uma secreção normal, que muda ao longo do ciclo. O que merece avaliação é a mudança de cor, cheiro ou quantidade, principalmente com coceira ou ardor.
Posso usar o remédio que usei da outra vez?
Melhor não. O quadro atual pode ter outra causa, e o remédio errado atrasa o tratamento certo e pode mascarar o exame.
A consulta é sigilosa?
Sim. O sigilo é dever da médica, e isso inclui diagnóstico e exames. O resultado é da paciente.
Meu parceiro não tem sintomas. Ele precisa fazer exame?
Nas ISTs, sim: a maioria dos homens também não sente nada e, sem tratamento, a infecção volta. Na candidíase e na vaginose, ele só é avaliado se tiver sintomas ou se o quadro se repetir.
Tive uma relação sem proteção. O que faço?
Marcar avaliação. Cada exame tem a sua janela e, em situações específicas, existem medidas de prevenção que precisam começar nas primeiras horas, por isso o contato rápido faz diferença.
Onde atende
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico das infecções ginecológicas e das ISTs depende de exame e avaliação individual, e o tratamento é prescrito caso a caso.
Fontes de referência: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, 2022. Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020, infecções que causam corrimento vaginal, Epidemiologia e Serviços de Saúde.
Dra. Pollyane Almeida Lopes
Médica Ginecologia e Obstetrícia
CRM MG 66466
RQE: 44581